Ritmo não é velocidade: é sustentação
Reflexão sobre ritmo, yoga e marca pessoal: como encontrar um compasso sustentável na rotina, no trabalho e na vida.
BRANDINGYOGA
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Percebo existir uma confusão comum quando falamos de ritmo: costumamos achar que ritmo tem a ver com ir mais rápido ou mais devagar. Mas ritmo, na prática, tem muito mais a ver com o que é possível sustentar.
Trabalhar muito não é, por si só, o problema, por exemplo. Há fases da vida em que o trabalho flui, as ideias se organizam, as oportunidades aparecem. O problema começa quando, mesmo nesse bom momento, a gente perde o compasso interno. Quando o corpo começa a avisar que algo está fora do lugar, só que a gente insiste.
No yoga, ritmo nunca foi sinônimo de aceleração.
Patañjali, nos Yoga Sutras, não fala em progresso rápido. Ele fala, entre tantos ensinamentos, em abhyāsa (prática constante) e vairāgya (desapego). Constância e desapego caminham juntos. Não adianta praticar muito por pouco tempo. O que transforma é aquilo que pode ser repetido sem violência (a dose que funciona em cada rotina).
A própria noção de sthira sukham āsanam, estabilidade e conforto na postura — aponta para isso. A postura não é aquela que impressiona, mas aquela que pode ser habitada, mantida. Se não há respiração possível ali, não há yoga. O corpo sai da prática do mesmo jeito que entrou: em alerta.
Na vida profissional e na construção de uma marca, a lógica é a mesma.
Marcas adoecem quando ignoram o corpo de quem as sustenta. Não existe posicionamento forte quando a rotina é insustentável. Não existe crescimento saudável quando tudo depende de esforço contínuo, urgência permanente e comparação constante.
Portanto, ritmo, aqui, vira gestão de energia.
O que cabe na sua semana?
O que pede pausa?
O que está funcionando, mas só porque você está se excedendo?
Essas perguntas não são estratégicas no sentido clássico do marketing. Elas são estruturais. Porque marca pessoal não nasce apenas do que você comunica, mas do modo como você vive. O ritmo da sua rotina aparece no seu discurso, no seu trabalho, nas suas escolhas.
O yoga ensina algo simples e essencial: respeitar o tempo do corpo.
Branding, quando bem feito, deveria ensinar o mesmo sobre o trabalho. Não adianta crescer rápido se não há fôlego para continuar. Não adianta expandir se o custo é a própria presença.
Talvez o ajuste que esse mês pede não seja desacelerar tudo, nem acelerar mais. Talvez seja reconhecer o ritmo que permite seguir.
Ritmo não é velocidade. É sustentação.
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Se esse assunto faz sentido para você e dá vontade de aprofundar, conheça o meu trabalho. No yoga, na gestão de marcas e nas viagens, falo sobre autoconhecimento, sobre reconhecer o seu próprio ritmo e encontrar a sua dose possível para viver com mais presença.
